segunda-feira, julho 14, 2003

Quem você quer que eu seja... Talvez não seja quem eu sou.

Estou nas variantes entre o preto e o branco, não sou a ausência muito menos o todo. Isso é válido também para a cor dos olhos e para os cabelos que não são curtos, nem longos, não são lisos ou crespos, não sou alta, não sou baixa, não sou gorda, não sou magra. Meus seios não são grandes, não são pequenos, não sou top, width, height, center ou bottom model. Não sou bonita, não sou feia. Não sou puta, não sou freira. Não admito que me rotulem com as etiquetas sociais. Sou inconstante. Posso te amar hoje, te odiar amanha e voltar a te amar depois de amanhã. Meu maior inimigo sou eu mesma, é a mim que eu tenho que superar todos os dias e a mais ninguém.
Quero tudo para ontem. Vou do estado de inferno ao estado de iluminação em um segundo. Capaz de me apaixonar só com um olhar e amar intensamente com um sorriso. E eu não sei amar pela metade; nunca soube. Aliás, não se trata só de amor, mas de qualquer tipo de sentimento. Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de INTENSIDADE, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar.
Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente para me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas histórias caso não possa vivê-las. Quero grandes histórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crer que é para sempre mesmo quando eu digo convicta que "nada é para sempre". Porque só assim eu me divirto e é só isto que me interessa. Sou uma observadora passiva, por isso tem que ser muito bom pra me enganar, eu me finjo de boba pra não estragar o andar da carruagem. Mentiras sinceras me interessam...
Eu não brigo, não falo mal dos outros, não fico me lamentando. Se tiver que sofrer, sofro sozinha, choro escondida e xingo em silêncio.
Defino como egoísta o sentido do amor que passeia pela nossa sociedade. Não vou me casar sem ter vivido bem uma vida de solteira e isso não quer dizer que eu quero dar pra todo mundo. Amo crianças, mas não sei se quero ter filhos. Minha primeira sensação de prazer foi aos 5 anos quando descobri que era gostoso arrancar as casquinha dos joelhos!!
Eu nasci com os pés tortos mas, com o passar dos anos, aprendi a pisar firme para escorregar menos. Nasci cheia de medos, mas aprendi a controlar o choro e a esbravejar discursos de coragem para não demonstrá-los. Aprendi a falar rápido e a andar rápido, mas demorei muito para sorrir.
Enlouqueci durante muitos anos com a falta de respostas para minhas perguntas, por isso criei minhas próprias verdades para sofrer menos. Eu me sentia presa, amarrada em laços umbilicais. Precisei desatar os nós e fugir um pouco, para descobrir que alguns vínculos são eternos e que podem ser menos prejudiciais do que julgamos.
Eu quis crescer, sempre quis ser gente grande. E, na tentativa desesperada de olhar nos olhos do destino, cresci tão rápido que do passado só guardei cicatrizes.